
Eu já estava cansada das inúmeras perguntas sobre o porque de eu não estar me divertindo, estava mais cansada ainda das inúmeras mentiras criadas para poder responde-las. A música que tocava me lembrava você, e eu sabia que a resposta para todos os questionamentos era apenas uma: seu nome, na qual eu me recusava a dizer…
Voltei para casa com os passos lentos, pensando que talvez se eu voltasse os ponteiros do relógio para trás, o tempo voltaria também. Queria poder pará-lo, pra quem sabe assim poder congelar o tempo e ter pra sempre os nossos momentos.
Eu costumava prestar atenção em cada ruído ao meu redor, imaginava que eram seus passos, sentia a chuva cair e fingia que era seus braços a me envolver e me acalmar. Eu ainda ouvia o tom da sua voz ressoando em minha mente todos os dias como se fosse uma melodia, ainda lia as suas mensagens guardadas no celular, tomava sempre o cuidado de reparar bem em cada uma das palavras, linhas ou vírgulas, pensando que talvez assim eu pudesse encontrar alguma mensagem subliminar me dizendo que eu tinha de esperar, que você ainda ia voltar pra me buscar.
Me perguntava de que adiantava trocar de canal se em todos eles eu via você, te encontrava no moço apaixonado da novela, no vilão do filme adolescente que partia sem dizer nada, e as vezes até mesmo no sorriso do moço do comercial da TV. Te ouvia nas minhas músicas, te imaginava por entre as paisagens, te recordava nas minhas fotos e até mesmo no gosto do café que você tanto elogiava. Tudo era motivo para que a sua memória nunca se apagasse em mim.
Então eu inventava um novo final, torcia pra me convencer que na verdade era só um novo roteiro pronto para o dia em que você voltasse. Tentava acreditar que esse tempo todo era só um hiato, igual aqueles de seriados de tv, que sempre deixa a gente agoniado. Tentava me fazer pensar que tudo isso acabaria logo, que nada havia terminado e que jamais alguma coisa havia acabado. Me torturava com essas loucuras todos os dias, mas de todas elas a pior era saber que a culpa era só e completamente minha, porque lá no fundo, bem no fundo, a única coisa que eu tinha medo era de realmente conseguir te esquecer.
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